O que o Facebook não vai te contar

Por que isso é um problema para os consumidores?

O que o Facebook não vai te contar

Por que isso é um problema para os consumidores?

“Mova-se rapidamente e quebre as coisas. A menos que você não esteja quebrando coisas, você não está se movendo rápido o suficiente.” – Mark Zuckerberg

Uma ameaça de desconexão no meio de uma pandemia global. Dois bilhões de usuários são forçados a aceitar os novos termos impostos pelo Facebook ou abandonar a própria rede de parentes, amigos, clientes e contatos, construída ao longo dos anos e com quem costumam se comunicar diariamente pelo aplicativo. Para muitos, durante uma pandemia global onde as fronteiras se tornaram mais concretas do que nunca, deixar de usar o WhatsApp pode significar perder o acesso a aconselhamento médico remoto, deixar de falar ao telefone com um parente doente, não fazer chamadas de vídeo com uma pessoa querida.

Em alguns países, a decisão é extremamente penosa para grupos de minorias, imigrantes e comunidades carentes. Nos Estados Unidos, as comunidades da diáspora são especialmente propensas a se comunicar pelo WhatsApp com amigos e familiares no exterior. Mais da metade dos hispano-americanos usam o WhatsApp, em comparação com apenas 16% dos americanos brancos. Em grande parte do Sul Global, restrições econômicas e deficiências na infraestrutura de banda larga limitam a comunicação online ao uso de smartphones. O WhatsApp está entre os meios de comunicação mais viáveis, principalmente nas áreas rurais.

O Facebook agiu rápido e quebrou promessas. Os consumidores merecem confiança e respeito, em vez de novas políticas furtivas. O Facebook, empresa de propriedade e sob o controle de Mark Zuckerberg, já nos decepcionou inúmeras vezes. Há muito tempo, a prática padrão do Facebook é fazer mudanças furtivas nos termos de serviço e políticas de privacidade. Porém, voltar a fazer isso no auge de uma pandemia global, quando mais do que nunca as pessoas dependem da troca de mensagens e comunicação online, demonstra a ganância corporativa de uma empresa que está disposta a fazer qualquer coisa para extrair nossos dados e desconsiderar nossos direitos à privacidade.

2014: WhatsApp atinge 400 milhões de usuários. Facebook compra o WhatsApp.

● “Não queremos aumentar a receita do WhatsApp no curto prazo. Em vez disso, estamos nos concentrando no crescimento. Não espero tentar aumentar agressivamente a receita do WhatsApp até que o serviço alcance bilhões de usuários.” – Mark Zuckerberg

Além de abusar da posição de monopólio no mercado, o Facebook violou a privacidade dos usuários, compartilhando dados com anunciantes e concedendo o acesso a informações a terceiros. Ao adquirir o WhatsApp, em 2014, o Facebook consolidou ainda mais o mercado de comunicações globais, ao mesmo tempo que prometeu não alterar a política de privacidade do aplicativo. Mark Zuckerberg demonstrou por que não é confiável, mais uma vez, quando atualizou a política de privacidade do WhatsApp para começar a compartilhar dados dos usuários com o Facebook.

2016: WhatsApp atinge 1 bilhão de usuários. Começa o compartilhamento de dados entre WhatsApp e Facebook.

● “Essa colaboração com o Facebook nos permite, por exemplo, obter métricas básicas em relação à frequência com que as pessoas usam nosso aplicativo e também conseguiremos ser mais eficazes no combate ao spam no WhatsApp.”

● “Por exemplo, você poderá ver um anúncio de uma empresa da qual você já tenha utilizado os serviços ao invés de uma que você nunca tenha ouvido falar.” – Blog do WhatsApp

2018: WhatsApp atinge 1,5 bilhão de usuários. O Facebook apresenta o WhatsApp Business.

● “Nos próximos cinco anos, estaremos focados em construir ecossistemas de negócios para nossos aplicativos, como Instagram, WhatsApp e Messenger.” – Mark Zuckerberg

● “Eu vendi a privacidade de meus usuários por mais benefícios. Eu fiz uma escolha e um acordo. E vivo com isso todos os dias.” – Brian Acton, Cofundador do WhatsApp

2021: WhatsApp atinge 2 bilhões de usuários. A política de privacidade do WhatsApp apresenta uma função de mensagens comerciais, programada para entrar em vigor em 15 de maio.

● “Estamos desenvolvendo novos recursos para facilitar transações comerciais dentro do aplicativo. Estamos desenvolvendo ferramentas para permitir que empresas usem a infraestrutura de hospedagem segura do Facebook para armazenar e gerenciar os bate-papos do WhatsApp, e atualizando a política de privacidade em serviços do WhatsApp para refletir essa experiência opcional.” – Mark Zuckerberg

Agora, Mark Zuckerberg pretende que o WhatsApp contribua diretamente para a receita do Facebook às custas da privacidade dos usuários. O Facebook espera que os usuários “optem” por receber mensagens e interagir com empresas no WhatsApp. Um fator importante por trás dessas interações seriam os dados (e metadados) que a empresa coletou nos últimos anos por meio das contas do Facebook e do WhatsApp, sem o conhecimento de muitos usuários.

A nova política, que entra em vigor em 15 de maio, mostra mais uma vez o motivo pelo qual nossos dados não poderiam ser confiados ao Facebook.

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