Sobre a campanha

Sobre a campanha

Somos uma campanha global para lutar contra os abusos monopolistas do Facebook. Em particular, alertamos contra a nova política de privacidade do WhatsApp, aplicativo de mensagens do Facebook, que entrará em vigor em 15 de maio de 2021.

Quando o Facebook comprou o WhatsApp, em 2014, o CEO Mark Zuckerberg prometeu manter os padrões de privacidade do WhatsApp. “Não pretendemos mudar de forma alguma os planos em relação ao WhatsApp e a maneira como ele usa os dados dos usuários. O WhatsApp continuará autônomo e operando de forma independente.” Esta promessa foi quebrada várias vezes.

Em 2016, apresentando uma “atualização” de rotina nos termos e condições do WhatsApp, o Facebook ganhou acesso a uma série de dados, oferecendo aos usuários um prazo de apenas 30 dias para cancelar. Muitos não perceberam a mudança a tempo, enquanto os cerca de um bilhão de pessoas que entraram para o WhatsApp após 2016 não tiveram escolha.

Agora, novamente, Mark Zuckerberg quebra a promessa que fez aos usuários e reguladores, ao “atualizar” mais uma vez a política de privacidade do WhatsApp. Desta vez, não há opção: quem não concordar terá a conta excluída. Embora as mudanças mais recentes na política governem principalmente a privacidade das comunicações entre empresas e indivíduos, elas evidenciam a quebra das promessas que o Facebook fez ao adquirir o WhatsApp. Além disso, destacam a direção que o Facebook pretende dar ao aplicativo: rumo ao compartilhamento cada vez maior de nossos dados com anunciantes.

A história do WhatsApp também está entrelaçada com a história de um dos gigantes corporativos mais influentes da atualidade. Nos últimos anos, o Facebook tem enfrentado intenso escrutínio por causa da ameaça que representa para a nossa democracia, nem mais, nem menos. A empresa é culpada por sucessivas violações da privacidade dos usuários, desde o compartilhamento de dados com anunciantes até abusos de mercado. O escrutínio só cresce desde o escândalo da Cambridge Analytica, em 2018. E esse escrutínio deve continuar.

O Facebook prova, mais uma vez, que não perderá a chance de abusar de sua posição de monopólio para extrair o máximo possível de dados dos usuários. A empresa conta com o fato de que, em breve, não teremos mais alternativas para nos comunicar fora de seu alcance. Essa é a ilustração perfeita do motivo pelo qual os reguladores devem aproveitar a oportunidade para agir.